Monday, August 07, 2006

Roupa de gala

Estava aqui, ali, zanzando, ouvindo Roupa Nova e Strokes, quando resolvi tirar a prova. Será que eles estão lá? Será que os discos em espanhol projetaram uma carreira internacional, dessas avassaladoras na América Latina (Soy loco por ti!), como uma trilha sonora de novela rebelde? Será que Kiko, Nando, Paulinho, Kleberson, Ricardo Feghali e Serginho estão lado a lado de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Fabrizio Moretti e Albert Hammond, Jr.? Vi para crer. Sim, camaradinhas, é verdade. Assim como os Strokes, o Arctic Monkeys e os melhores músicos americanos de jazz da década de 1950, o Roupa Nova também é um verbete do All Music.

Sim, claro que é sério. Num dos mais badaladinhos saites de música, a Bíblia, como dizem os cristãos, também é possível conhecer, em inglês, um pouquinho da história da banda que arrebata milhares de pessoas no Brasil desde a década de 1980. Ou você pensa que é fácil vender discos durante vinte anos, renovar e amadurecer junto com seu público? Eles conseguiram - com coletâneas, nunca vi tantas, talvez só Raul Seixas, de quem nunca se ouviu um disco inteiro, e acústico, mas até Eric Clapton, Clapton é God, but o unplugged fez quase milagre - e chegaram em 2006 com seu nome inscrito na eternidade dos confins da internet. Seja lá o que isso significa.

Além de conhecer o histórico, os principais sucessos (clássicos: "Whisky a go-go", "Sapato velho", "Dona", "Coração pirata", esta última, aliás, escrita por Aldir Blanc, seja lá o que também isso significa), ainda é possível ouvir e comprar discos da banda. Ou melhor, é possível comprar discos da banda. Mas veja só o camaradinha e a camaradinha: cinco discos estão à venda. De três deles, em tese, é possível ouvir os áudios. Em tese porque nenhum dos botões "Listen" funciona. Você supõe, não supõe? Sim, dos cinco "Buy", apenas um está fora de circuito. Negócios são negócios, americanos, americanos, em Copacabana, Texas ou Beirute. E ai de nós por tudo que isso significa.

Mas o caso é que é possível comprar até mesmo o Roupa Nova "En espanol: The best", com versões, acredite, camaradinha, acredite, como "Regresa a mi", "Tímida", "Lluvia de plata", "Zapato viejo" e ainda, prepare-se, "Fuego en mi corazon". A última canção do disco, olha só, é "Yesterday". Não vejo os créditos, mas, fazer o quê, deve ser o Paul. Em inglês, claro. Não posso crer, não posso crer em "Yesterday" cantada em espanhol pela Roupa Nova. Sir McCartney, aliás, está com tudo e cada vez mais rosa. Só gente boa grava seu repertório. Depois de Kiko Zambianchi, que choramingou em plena Top Model: "Hey Jude, não fique assim", é a vez deles, do Roupa Nova passar a mão na bunda de um clássico dos Beatles. Heresias à parte, deixemos pra lá, o lugar no almanaque é mais do que merecido. Seja lá o que isso tudo, enfim, significa.

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