Quem tem seda?
A escalação do Planet Hemp na terceira posição das preferidas da CParque FM desta semana não é provocação. Poderia ser, mas não é. Tampouco a dobradinha com o Skank. Se não for mesmo coincidência, Lacan explica. O Planet foi uma das melhores bandas do Brasil na última década. Atrás do discurso polêmico e midiático da maconha e do ego do Marcelo D2, que logo ficaria grande demais para o palco do Circo Voador, estava uma banda de batidas e versos inspiradíssimos, muito acima dos seus colegas de microfone e guitarra. Marcelo D2, B. Negão e Gabriel Black Alien são partideiros de primeira linha do rap, têm discurso articulado, provocador, agressivo, politizado, irônico, inteligente acima de tudo, coisa fina. E as guitarras de hardcore dão ainda mais peso à poesia de rua, aos jogos de idéias e palavras, às referências ao noticiário, ao pão nosso de cada dia. Tudo misturado em um grande caldeirão de música brasileira fervido no Rio de Janeiro. Foi um caminho muito mais ousado do que rap paulista. Os samplers que resgatavam em referências os grandes clássicos da música – e sobretudo do samba – e os processavam apontavam sempre para o futuro. A guitarra do Rafael em “Gorilla Grip”, por exemplo, faz lembrar Killers e outras bandas inglesas que pipocam hoje em dia nas panelas de alguns jornalistas brasileiros. Esqueçam o preconceito, divirtam-se com o discurso – às vezes raivoso, mas sempre bem-humorado – sobre a carne de Marley e se liguem no som do Planet Hemp. É música de excelente qualidade. “Gorilla Grip” é a faixa 7 do disco “A invasão sagaz do homem fumaça”, de 2000. Você pode ouvir ainda “Quem tem seda”, “Contexto” e “Ex-quadrilha da fumaça”. Experimente que o fumo é do bom. Impossível não fazer a cabeça.

0 Comentarios:
Post a Comment
<< Home